No início do ano de 2016, lancei um desafio aos meus alunos: produzir textos argumentativos.
O principal objetivo era criar oportunidade para que os alunos utilizassem as estruturas do idioma para expressar sua opinião de forma autêntica. E assim, estruturas gramaticais e vocabulário deixariam de ser conceitos abstratos e ganhariam significado concreto ao serem utilizados como ferramentas de expressão.
O desafio ficou ainda mais interessante quando pedi que os textos fossem escritos à mão. O objetivo era trabalhar planejamento, sequência, coesão de ideias e estrutura textual, entre outras coisas.
Quando redigimos no computador fica fácil alterar a ordem dos parágrafos, arrastar palavras, cortar e colar frases. Esse processo é muito mais rápido e simples, no entanto, exige muito menos planejamento e organização.
No caso da escrita à mão, o processo de organizar os argumentos e a ordem em que serão apresentados oferece muitas oportunidades de aprendizagem. Resumindo, é preciso pensar antes de escrever, fazer as escolhas linguísticas mais adequadas ao gênero textual, organizar os argumentos (porque afinal de contas, escrever e ter de apagar tudo com uma borracha é muito demorado e cansativo, não é?).
Os assuntos eram introduzidos em aula por meio de vídeo, artigo de jornal, revista, site. O aluno falava sobre suas impressões iniciais sobre o assunto. Como trabalho de casa, era entregue uma folha impressa com uma pergunta (quase sempre polêmica) sobre o tema para que o aluno pesquisasse mais, fizesse suas reflexões e, por fim, produzisse um texto argumentativo.
De volta à sala de aula, o aluno era convidado a expor novamente sua opinião sobre o tema. Neste momento, foi possível observar que, organizar os argumentos para escrever, ajudou a produzir uma fala muito mais coerente e objetiva.
A correção era feita junto com o aluno, revisando tópicos gramaticais sempre que necessário, oferecendo novas opções lexicais, etc. As produções foram arquivadas em ordem cronológica.
Passados alguns meses, os alunos foram convidados a comparar suas primeiras produções com as mais recentes. Em todos os casos, ficaram surpresos com o quanto a escrita evoluiu e como influenciou positivamente na fala.
***
Meus alunos são todos adultos. Fazem aula individual (apenas duas alunas faziam aula em dupla).
Os níveis vão de B1 a C1 (CEFRL).
Para saber mais:
(by Cristina Cabal)
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